domingo, 25 de maio de 2014

AMOR DE FADA

O meu amor é feérico
Corre por entre árvores
Voa por sobre montanhas
E navega no mar de ti.

Protege-te do destino
Dos encantamentos e do mal
Guardando-te entre letras
Do fluxo das correntezas.

Como Morgana, em Avalon,
Ou Dília, a fada da lua.
Trago-te sorte e felicidade
Meu elfo, amante e amigo.

Sim, asas de libélula e varinhas de condão
Transformam-me em Lorelei,

Sininho, sílfide ou sereia.
O olhar é teu e a luz é minha.

Etérea e translúcida sigo a te guiar
Moldando meu corpo a teu pensamento
E na hora dourada da canção
Vou caminhando nas asas do vento.


LÍGIA SAAVEDRA.





domingo, 18 de maio de 2014

O Preconceito no trabalho

Ao abrir a gaveta de entregas no trabalho hoje de manhãzinha, encontrei um envelope com meu nome, escrito por uma letra que já me era familiar. Rasguei o
envelope com toda ansiedade do mundo, e ao olhar que era uma barra de chocolate da minha marca favorita, logo virei a embalagem para descobrir o recheio. Era de morango! Droga, eu odeio morango! Mas era um presente, e dado por alguém diferente. Como eu iria falar para alguém que tem um brilho que eu desconheço no olhar, que eu adoro dar bom dia, porque sempre me responde com um bom dia, daqueles que deixam o dia realmente bom, que eu odeio morango?! Não ia dar, além de mal educada eu passaria por mal agradecida. E deixar uma barra de chocolates daquela guardada só para não fazer desfeita, é quase um crime. Como ir ao cinema e não dar um bom amasso. E trocar o chocolate seria como trocar uma roupa daquelas que você ganha, que simplesmente não serviu. Tirando o fato de ter que mentir depois, um defeito de caráter que abomino acima de todas as coisas.
A única solução seria provar aquela delicia recheada de morango. O pensamento de odiar morango não saia da minha cabeça. Mas como eu sabia que odiava recheio de morango, sendo que eu nunca comi morango antes, só porque eu acho que eu não gosto? E como alguém aparentemente tão gente boa, poderia ter o mal gosto de me dar um chocolate ruim?
Fiquei paquerando aquele embrulho por horas, racionalizei que sendo a embalagem vermelha, eu teria desejo de comer, e como o desejo exerce uma grande influência em mim... Logo degustei o chocolate, pois não era um digno de ser apenas comido. E só para ficar registrado, sim, eu gostei.
Não precisa dizer que é ridículo, comentar não gostar de algo sem nunca ter provado, conhecido, ou generalizar. Mas eu sempre faço isso, todo mundo faz isso. Você ao ler todo dia as minhas crônicas, faz isso que eu sei.
Mas isso tem nome, ô se tem. Chama preconceito.
Sabe quando alguém bate o carro de uma forma ridícula, e você abaixa o vidro e
grita “tinha que ser mulher! O que tá fazendo fora da cozinha Dona Maria?” sem saber o sexo do motorista. É preconceito. Quando você negocia alguma venda importante somente via e-mail e telefone, e na hora de fechar negócio pessoalmente fica pasmo, pois como alguém tão mais novo que você pode ser tão inteligente e estrategista? Preconceito de novo. Quando você é transferido para uma nova unidade, e já começa a reclamar que se não for São Paulo não rola, sem saber como é o cotidiano da nova cidade. Adivinha o que é? Quando você simplesmente não chama aquela pessoa para sair porque pensa que ela é muita coisa pra você, quando quem teria que fazer duas viagens é ela. Também é, você sabe o que. Quando algum japonês te paquera e você pensa logo de cara no tamanho do instrumento dele. É maldade, além de preconceito! É fato, Titanic era o maior navio do mundo e afundou na primeira viagem, isso só comprova que tamanho não é documento.
Quando eu te ligo, e você pensa que sua paz acabou de ir embora. É a mais pura realidade!
Essas situações acontecem a todo momento, e sempre acontecerão de formas diferentes. Você aprende com algumas experiências, e desaprende com outras, muitas vezes repetidas.
Eu pré conceituei aquele publicitário babaca, achando que ele era o homem da minha vida, mas ele não fez ela valer a pena, nem por vinte quatro horas consecutivas. Eu pensei que aquele mocinho de família criado pela vó no interior, fosse devagar para algumas coisas, mas até hoje só de lembrar dele eu sinto um arrepio, que não é de frio. Eu achava que eu tinha uma amiga, mas na verdade ela queria me agarrar no banheiro da Lov.&.
Eu sei que você já está cansado de ler por hoje, porque trabalhou muito, porque é uma pessoa muito seria, que não tem tempo pra nada, e me acha uma maluca. É isso mesmo, estou sendo preconceituosa em relação a você. Mas e daí? Você não liga para o que eu penso.
(Bruna Solar)




domingo, 11 de maio de 2014

MUDANÇAS...



 
Quero mudar...
Mas não sei por onde começar...
Me sinto perdida,
No meio de um furacão...
Quero seguir a razão,
E não o coração...
Tenho vontade de fugir...
Para um lugar onde eu possa recomeçar...
Onde ninguém me conheça
Para que eu esqueça...
Um passado de dor...
E que eu possa novamente...
Dar mais uma chance ao amor...

AUTORA: Elizangela Carvalho


quinta-feira, 20 de março de 2014

Sou fria ...

Sou fria meu amor e totalmente dramática com essa coisa de sentimentos.
Não sei retribuir muitos carinhos assim logo de cara, mas tudo que eu sinto carrego por dentro e quando me vejo, já explodi inteira. Não me apego assim tão fácil, tenho essa estranha mania pela conquista. Gosto de construir as coisas com o tempo e não com a carência. Pouquíssimas vezes você vai me ver falando bem de alguém que acabei de conhecer justamente pelo fato de eu não conhecer. Acho importante ter uma certa convivência antes de expor minha opinião. Mas apesar de tudo eu sou extremamente intensa, todos os meus momentos eu vivo na espera de que eles durem para sempre, mesmo sabendo que isso não vai acontecer. Eu não tenho vergonha de admitir que mesmo tendo pressa eu demoro, mas pode ter certeza de uma coisa, que quando eu chego é pra ficar.

Maíra Cintra




domingo, 9 de março de 2014

Que sejamos...

Que sejamos leves, mas não tão leves , que é pra maré não levar;
Que sejamos breves, mas não tão breves que não possa sentir;
Que sejamos fortes, mas não tão fortes a ponto de (se)destruir;
Que sejamos bonitos, mas não tão bonitos a ponto de não ser humildes;
Que sejamos sonhadores, mas não tanto a ponto de não viver a realidade;
Que sejamos expectativas, mas não tanto que é pra não se decepcionar;
Que sejamos saudades, mas não tanto que é pra não amargurar;
Que sejamos amor, mas não tanto ao outro, que é pra não esquecer de SE AMAR.

Tati Zanella




sábado, 8 de março de 2014

Uma Mulher sem Areia Nenhuma

Tenho o santo horror da frieza calculada, da boa educação, do prudente juízo duma mulher. Aos homens pertence tudo isso, e a mulher deve ser muito feminina, muito espontânea, muito cheia de pequeninos nadas que encantem e que embalem.                     Meu amigo, se esperas ter uma mulher sem areia nenhuma, morres de aborrecimento e de frio ao pé dela e não será com certeza ao pé de mim...                                                    
 Comigo hás-de ter sempre que pensar e que fazer.                                                           Hás-de rir das minhas tolices, hás-de ralhar quando elas passarem a disparates (hão-de ser pequeninos...) e hás-de gostar mais de mim assim, do que se eu fosse a própria deusa Minerva com todo o juízo que todos os deuses lhe deram. 


Florbela Espanca. "Correspondência (1920)"










sábado, 22 de fevereiro de 2014

UTOPIA...

A utopia está lá no horizonte. 
Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos.
 
Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos.
Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei.
 
Para que serve a utopia?
 
Serve para isso: 
para que eu não deixe de caminhar. 

Eduardo Galeano